Reciclar...porquê?

E porque não?

A campanha da Sociedade Ponto Verde começou, mais ou menos, há 20 anos. Eu não me lembro especificamente quando, mas houve um momento em que a minha mãe nos explicou o que iríamos começar a fazer com os nossos resíduos. Fez sentido; afinal de contas, materiais diferentes tinham de ser colocados em sítios diferentes. Pesquisei sobre o assunto e soube que o anúncio da altura era uma experiência de laboratório, que mostrava o Gervásio, um chimpanzé, a aprender a fazer a separação dos diferentes materiais (plástico, papel e vidro) pelos seus respetivos ecopontos. O anúncio acabava de maneira pouco convencional (mas talvez o que estamos a necessitar novamente) que era a Sociedade Ponto Verde a passar a “batata quente” para os portugueses, pois se até um chimpanzé o conseguia fazer... Foi uma estratégia que na altura resultou, e muitas famílias começaram a reciclar e não pararam.

Para mim a explicação da minha mãe foi suficiente, mas há 20 anos atrás o plástico já era encontrado nos nossos oceanos desde os anos de 1960. Estamos há 60 anos a criar um problema, que inevitavelmente se irá tornar insustentável.

As justificações que já cheguei a ler e ouvir para explicar o porquê de não ser feita a reciclagem é assustador: apontam a quantidade de vezes que terão de ir ao lixo, ou o número de caixotes a ocupar espaço em casa (sendo que hoje em dia já existe a possibilidade de ter um único caixote, com divisórias), entre muitas outras desculpas. Preocupa-me, como nos deveria preocupar a todos, que existam pessoas tão agarradas a argumentos tão comodistas como estes.

Aqui por casa fazemos reciclagem, temos o lixo comum e ainda uma caixa para o composto. Não ocupa muito espaço, não chateia e também, milagre dos milagres, não dá trabalho. Aliás, com o lixo orgânico a ser colocado na caixa para composto, que é entregue na Courela dos Pegos uma vez por semana, a nossa ida à rua por causa do lixo comum é de uma vez por semana; e só se cheirar mal por causa de restos de comida que não vão para o composto. Vamos ao contentor das embalagens entre uma duas vezes por semana, porque compramos a granel, e esperamos conseguir reduzir este número. Quanto ao papelão, uma ida a cada duas semanas basta, e às vezes até mais.

Sou humana, portanto, às vezes erro, não sei tudo, e muitas vezes a Waste App ou o Hélio são os meus melhores amigos para me ensinar que iria cometer um erro se por acaso não procurasse saber mais, consciencializar-me, aprender.

Porque não pensar duas vezes? Não há mal nenhum. São precisos uns 21 dias para criar um hábito. Malta, se não pegar desta maneira, pegará noutra. É preciso tentar e educar o próximo. Mas estamos a falar também do nosso futuro, porque se tudo correr bem, ainda estaremos cá, pelo menos, mais 40 anos (falo por mim que estou na faixa dos 30 anos).

Imaginem que com a quantidade de plástico produzido e não reciclado, um dia estaremos na Arrábida com a sensação de que estamos na praia de Kedonganan, em Bali. Apesar de acharmos que em países que não são de terceiro mundo tal coisa não se configura como uma possibilidade, sequer, a (triste) verdade é que poderá se não mudarmos a nossa conduta: afinal entre 5 a 13 milhões de toneladas de desperdício de plástico vão parar aos oceanos todos os anos, e estima-se que represente mais de 80% do lixo presente no ambiente marinho.

Cada um de nós é responsável por produzir cerca de 1,3kg de resíduos, sendo que 9% são embalagens de plástico.

Ao fazer a separação dos diferentes materiais, estamos a dar uma oportunidade para que estes tenham uma nova vida, e ao mesmo tempo estamos a poupar recursos naturais do nosso planeta.

Seguem alguns factos sobre a reciclagem:

  • As embalagens de alumínio demoram cerca de um século até se degradarem, se colocadas no ecoponto podem ser infinitamente recicladas, sem perder a qualidade.
  • Uma lata reciclada economiza energia suficiente para manter uma televisão ligada durante 3 horas.
  • Uma tonelada de vidro reciclado produz uma tonelada de vidro.
  • O vidro é um material 100% reaproveitado, e pode ser reciclado indefinidamente.
  • Para produzir 100 folhas de papel é necessário: 1 árvore de 2 metros de altura, 5 lâmpadas de energia e 50 litros de água.
  • Para produzir 100 folhas de papel reciclado são suficientes: 2 revistas velhas, 8 lâmpadas e 8 litros de água.
  • Uma tonelada de papel reciclado poupa cerca de 22 árvores, economiza 71% de energia elétrica e polui o ar 74% menos.
  • Por cada 100 toneladas de plástico reciclado evita-se a extração de uma tonelada de petróleo.
  • 1 pilha pode ficar 100 anos a lançar contaminantes, para o meio ambiente.
  • Reciclar pilhas usadas, significa recuperar materiais como Manganês, Zinco, Aço e Carbono, sem que seja necessário retirá-los da natureza. Desta forma reduz-se a necessidade de exploração mineira, preservando os recursos naturais.

Atenção. não estamos aqui só para dizer mal ou apontar factos que nos colocam em más posições, pois os números têm estado a aumentar, e em pleno ano de pandemia aumentou em 13% o seu valor de embalagens recicladas.

E num apontamento de aprendizagem, sabiam que para além dos mais conhecidos, os ecopontos amarelo, verde e azul, onde se colocam plástico e metal, vidro, papel e cartão, respetivamente, existem também outros materiais que podemos colocar noutros contentores? Por exemplo, para aparelhos eletrónicos avariados, o Pingo Doce costuma ter contentores próprios, bem como para óleos alimentares usados. As pilhas, também têm de ser colocadas no sítio próprio, e as cápsulas de café (Nespresso, Delta, etc...) também têm um contentor próprio em certos supermercados.

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